A falta que alguém me fez.

Esse texto é sobre a falta que ele me faz. É sobre sentir o que não se explica. É sobre lutar contra a vontade das coisas. Esse texto não é uma carta de amor, é um desabafo. É uma saudade enlatada e comprimida, embalada à vácuo.

Esse texto não é um pedido de casamento, não é uma carta de despedida, não são promessas vazias, não é uma explicação, não é uma canção, não é poesia. Não é uma declaração, não é uma petição, um projeto, uma lista, um roteiro, não é um guia.

Isso não é uma novela. Não é uma desculpa. Não é uma promessa. Não são palavras soltas, nem palavras presas. Esse texto não é um clássico, não é uma obra, não é um livro, não é uma fórmula. Esse é só um texto sobre a falta que ele me faz.

E como se escreve um texto assim? Um texto que contenha o por do sol. que contenha o instante de uma respiração. E que ande de mãos dadas, pulando e abraçado. Como se escreve um texto assim? Que beija de olhos fechados, que segura forte na hora do medo e que abraça na hora de amar. Um texto que não tenha mais mágoas, que saia na chuva e cuide na gripe. Quem me ensina a escrever um texto que deite do lado, que morda no braço, que fale de amor, que chore escondido, que corre pro abraço, que não goste da dor? Um texto que seja amigo, amante e sobrinho, que seja mãe e avô?

Esse é um texto com música. Com fotos. Presentinhos.  è um texto que anda de mãos dadas. Que rouba beijinho, esconde bilhete e fala besteiras. E pode ficar aqui, horas e horas, sem fazer nem dizer nada, só de saber que você está aí, parado, olhando pra ele e prestando atenção.

É um texto elevador, um texto metrô. Texto-praia. Texto-quarto. É um texto eu-e-você. Que fala de companheirismo, cumplicidade, respeito e dedicação, disposição, paciência, amizade. Sobretudo, saudade.

Não quero que seja entendido errado, por favor. Porque ele não é um texto de quem corre atrás. De quem implora de volta. Ou de quem dá adeus. é um texto de quem sente falta, de quem tem um vazio e precisa dizer, precisa gritar. Mas um texto só é um texto porque não é fala, porque não é quadro, não é música. Esse texto só é um texto porque eu sou covarde, se é que esse é o nome de quem tem medo de se machucar.

Se bem que agora eu queria ser esse texto pra poder olhar nos teus olhos – estariam eles cheios de lágrimas? – e de tizer isso tudo. Dizer que faz falta, que agora eu sei, era amor. Dizer que todo mundo erra muito, que não quero deixar o bom passar e deixar a dor. Dizer que eu sofri muito e preferia não ficar sem. Que se um dia penso em ser feliz, você é o alguém. O alguém que está sempre comigo, chorando ou sorrindo, e chamando de “bem”. O alguém que eu mais admiro, que eu amo o sorriso, que não maltrata ninguém. Dizer que você é um menino, um homem, um amigo, meu amor vai além.

Esse não é um texto bonito, é um texto sincero. De amor e saudade. Sofrimento, cumplicidade. Tudo  tão dolorido que me leva a escrever um texto só pra tentar te dizer a falta que você me faz.

_____________________________

Este não é um texto novo. Achei ele escrito em uma folha de fichário no fundo do meu baú. Sem nome, sem assinatura e sem data. Mae é a minha letra e o meu sofrimento por causa da falta que alguém me faz.

Só não consigo lembrar quem!

13 Respostas para “A falta que alguém me fez.”

  1. Rafael Oliveira Diz:

    Poxa, costumava ser bem apaixonada!

  2. Danilo Bocuto Diz:

    Texto muito bom, muito bonito! Saudade, amor e sofrimento, são sentimentos incríveis de serem expressados, não é fácil de conseguir mostrar o que está sentindo em algumas palavras, até mesmo textos como esse são estão realmente completos como o que você está sentindo ou sentiu. Incrível, bem apaixonado!

    Yu: brigada!!!! =)

  3. lucas frutig Diz:

    Nossa, muito profundo,se expressou maravilhosamente bem e eu estava lendo esse texto, que é um texto porque não é uma música ehehe, escutando um som que ficou massa junto – Muse – Hoodoo
    Parabéns

    Yu: aeee, obrigada!

  4. Papo_de_ cozinha Diz:

    Yule,

    Nem parece aquela mulher que escreve lá.
    Excelente texto que não é um texto de …
    Mesmo não te conhecendo, foi uma surpresa. Uma grata surpresa.

    Geraldo

    Yu: Achou diferente???

  5. Marcela Diz:

    não lembra mesmo??
    hahaha
    super bonito!

    Yu: Não lembro!

  6. Ilfran II (segundo) Diz:

    Lindo texto, Yule ! Porém, meio triste !

  7. Jorge A. Filho Diz:

    Aparentemente a falta parece ter sido grave, mas quem a cometeu não está mais no jogo. E a regra é clara: quando a falta não faz mais sentido, deve ser aplicada a regra da vantagem. Neste caso, a vantagem é que você segue firme e forte rumo ao ataque e eu, pronto pra recebê-la na intermediária, pôr a bola pra dentro e sair pro abraço.
    Agora, a opção é sua, cair e reclamar da falta ou ir ao meu encontro.
    Ops, me empolguei! hahaaaaaaa
    Bjs, muito prazer e parabéns pelas postagens!

    Yu: Mais ou menos por aí mesmo!
    Beijão!

  8. balen travis Diz:

    Me ha emocionado mucho un saludo

  9. Tito Matheus Diz:

    Oloco…

    Daqui a alguns anos, alunos terão que estudar esse texto para prova de vestibular!!

    Parabéns. Duvido que quem tenha lido não tenha se lembrado de alguem.

    Abraços.

    Yu: O Rafa Fidelis tem uma teoria sobre meus textos e o vestibular!
    Pior que não lembrei pra quem era mesmo!

  10. Temporario Eterno Diz:

    Engraçado… você me prendeu a atenção desde que li pela primeira vez seus comentários sobre o ‘assunto proibido’. O qual aliás, compartilho da mesma paixão que você.

    Agora me explica pq eu acabei vindo aqui ler outras coisas pra saber o seu ‘outro lado’? Sem personagem e que treme pelo zagueiro artilheiro de verdade… mas não, eu não sou o Chicão! :D

    Pensando bem… pq não é sempre que apenas o assunto interessa, mas também a pessoa.

    Virei mais vezes.

    Yu: Será bem vindo!

  11. Douglas Linhares Diz:

    Este comentário não é uma observação, não é uma crítica, não é uma projeção, não é um pedido, não é uma pergunta, não é uma orientação não é uma minuta. É comentário de menino, de experiente leitor, de adulto amigo, de palhaço amador.

    É comentário sincero, com ar de sarcasmo, com admiração contida, de gosto duvidoso, com perda de tempo inerente para os que quiserem ler, com vontade de querer aparecer.

    E assim sigo comentando, ainda meio sem saber o que escrever.

  12. Thiago Peixoto Diz:

    Pô amiga, quer enganar quem? O texto pode até ser antigo, mas certamente vc se lembra pra quem escreveu, até porque está carregadissimo de sentimento, nao deve ter sido uma paixão qualquer…De qualquer forma adorei o texto, parabéns! Além de linda e corintiana, mostra-se talentosíssima na escrita, esta ganhando mais um fã…rss!
    Beijosss

    Yu: Essa é a ironia do texto: NÃO LEMBRO PRA QUEM FOI!
    Brigada pelos elogios, anyway!

  13. Alexandrina Diz:

    Yule, adorei o texto.
    E me identifiquei totalmente com ele, pelo momento que estou passando.
    Parabéns!

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